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21 de julho de 2026

Hortênsias News

Após falhas na Festa Colonial, prefeito de Canela reage às críticas com “síndrome de vira-lata”

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Tendas da área gastronômica ficaram sem água e energia elétrica na abertura do evento. Município reconheceu atraso nas instalações, enquanto declaração de Gilberto Cezar provocou aplausos e vaias

A abertura da 32ª Festa Colonial de Canela, realizada na sexta-feira, 17 de julho, foi marcada pela presença do público, pelas atrações culturais e também por problemas de infraestrutura que impediram parte dos expositores de trabalhar normalmente.

Registros públicos divulgados durante o evento mostraram que algumas tendas, principalmente da área gastronômica, ficaram sem água e energia elétrica no início da programação. A situação comprometeu o funcionamento de espaços que dependiam desses serviços para preparar alimentos, conservar produtos, operar equipamentos e atender o público.

Os problemas provocaram reclamações entre produtores e comerciantes que chegaram à festa preparados para trabalhar, mas encontraram estruturas ainda sem condições adequadas de funcionamento.

Prefeito reage às críticas

Durante a cerimônia oficial de abertura, o prefeito Gilberto Cezar comentou os problemas enfrentados e afirmou que eventualidades podem acontecer durante a realização de um evento.

Na sequência, declarou que Canela precisa deixar a chamada “síndrome de vira-lata”, expressão que relacionou às pessoas que, segundo ele, “só olham o lado negativo e não o positivo”.

O pronunciamento foi recebido com aplausos e também com vaias entre as pessoas que acompanhavam a cerimônia.

A manifestação ampliou a repercussão de uma situação que, até aquele momento, estava concentrada nas falhas de infraestrutura.

As reclamações não questionavam a importância cultural da Festa Colonial, o trabalho das famílias produtoras ou a presença do público. As críticas estavam relacionadas à falta de condições básicas para que os expositores pudessem trabalhar.

Água e energia elétrica não são detalhes em uma área gastronômica. São serviços fundamentais para o preparo e a conservação dos alimentos, para a higiene, para a segurança e para o funcionamento dos equipamentos.

Diante disso, uma pergunta passou a ganhar força entre moradores e comerciantes: cobrar uma estrutura adequada em um evento público significa olhar apenas para o lado negativo ou exercer o direito legítimo de fiscalizar e exigir providências?

Prefeitura reconheceu atraso nas instalações elétricas

Na manhã de sábado, 18 de julho, a Prefeitura de Canela divulgou uma manifestação reconhecendo que houve atraso na execução das instalações elétricas em parte dos estandes.

De acordo com a nota, os serviços estavam sob responsabilidade de uma empresa contratada por meio de processo licitatório.

A Administração Municipal informou que adotou medidas administrativas, cobrou a regularização imediata e permaneceu acompanhando o cumprimento das obrigações contratuais.

A Prefeitura também destacou que o Multipalco, a Vila de Artesanato, os Fornos Coloniais, as cervejarias artesanais e os banheiros estavam funcionando normalmente.

A manifestação, entretanto, não informou o nome da empresa responsável pelos serviços, o valor do contrato, o número do processo licitatório ou se haverá aplicação de multa ou de outra penalidade em razão das falhas registradas.

Também não esclareceu se toda a estrutura havia passado por uma vistoria técnica antes da abertura oficial da festa, nem apresentou informações sobre eventuais prejuízos enfrentados pelos expositores.

Prefeitura informou quase R$ 800 mil em recursos

As falhas ganham ainda mais relevância diante da dimensão anunciada para a edição deste ano.

Durante o lançamento da 32ª Festa Colonial, realizado no início de julho, a Prefeitura de Canela informou que o evento registrou crescimento de 80% nos patrocínios em comparação com a edição anterior.

Segundo declaração do secretário municipal de Turismo e Cultura, Athos Cunha, foram arrecadados quase R$ 800 mil por meio de empresas locais e de recursos governamentais.

O material oficial não detalhou quanto desse montante veio da iniciativa privada e quanto corresponde a recursos públicos ou mecanismos governamentais de financiamento.

A Prefeitura informou ainda que a festa conta com recursos viabilizados por instrumentos como a Lei Rouanet e o Pró-Cultura RS, além de patrocinadores, apoiadores, colaboradores e parceiros comerciais.

O volume de recursos divulgado e a dimensão projetada para o evento reforçam a necessidade de transparência sobre o planejamento, a fiscalização da montagem e as responsabilidades pelas falhas registradas na abertura.

A contratação de uma empresa terceirizada não afasta o dever do Município de acompanhar a execução dos serviços e fiscalizar o cumprimento das obrigações estabelecidas.

Balanço oficial destacou público e vendas

Nesta segunda-feira, 20 de julho, a Prefeitura de Canela publicou um balanço destacando a movimentação registrada durante o primeiro fim de semana da Festa Colonial.

Conforme os números oficiais, foram comercializados aproximadamente 3.850 litros de chope, 8,6 mil pães com linguiça, 4,5 mil cucas e 4,2 mil pães caseiros.

O comunicado também destacou a programação artística, o Desfile Raízes da Terra, os Jogos Coloniais e a circulação de moradores e turistas pela Praça João Corrêa.

O balanço divulgado pela Administração Municipal, entretanto, não abordou os problemas enfrentados por parte dos expositores na abertura do evento nem mencionou a declaração do prefeito sobre a “síndrome de vira-lata”.

O movimento registrado durante o restante do fim de semana é positivo para os produtores, para o comércio, para o turismo e para Canela. Mas os bons resultados posteriores não eliminam a necessidade de esclarecimentos sobre o que ocorreu no primeiro dia.

Reconhecer as qualidades da Festa Colonial não significa ignorar suas falhas.

Da mesma forma, apontar problemas não representa torcer contra a cidade, desprezar suas conquistas ou diminuir a importância do evento.

Uma comunidade pode prestigiar a festa, valorizar os produtores e, ao mesmo tempo, cobrar planejamento, estrutura adequada, fiscalização, transparência e respeito.

Cobrar água e energia elétrica não é “síndrome de vira-lata”.

É cidadania.

O Hortênsias News mantém o espaço aberto para manifestações da Prefeitura de Canela, organização da festa e da empresa responsável pelos serviços.

Redação HN
Imagem: Reprodução PMC

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