
Região atingida pelos deslizamentos da catástrofe climática de 2024 entra em nova fase de recuperação. Expectativa da comunidade agora é ver a reconstrução finalmente sair do papel.
Depois de dois anos de espera, medo e incerteza, o bairro Piratini, em Gramado, começa a entrar em uma nova fase. A assinatura do contrato para o início das obras de recuperação representa um passo importante para uma comunidade que, desde a catástrofe climática de 2024, convive com ruas destruídas, encostas comprometidas e uma rotina marcada pela insegurança.
A nova etapa envolve a recuperação de áreas severamente afetadas pelos deslizamentos e pela instabilidade do solo. A obra será executada pela empresa Geox Geotecnia e Engenharia, com investimento de R$ 13,6 milhões, nesta primeira fase, para intervenções nos trechos das ruas Henrique Bertoluci, Guilherme Dal Ri e Afonso Oberherr, na região conhecida como Piratini Norte.
Mais do que uma obra de pavimentação, trata-se de uma intervenção estrutural. O projeto prevê recuperação de cerca de 13,5 mil metros quadrados, com uso de técnicas de contenção e estabilização, como solo grampeado, cortina atirantada, cortina com estacas justapostas, muro gabião e recomposição viária. É uma operação pensada para devolver segurança a uma área profundamente atingida pelas chuvas.
O avanço tem peso simbólico e prático para os moradores. Desde 2024, o bairro passou a conviver com marcas visíveis da tragédia. Houve danos severos à infraestrutura, bloqueios, mudanças de circulação e impacto direto na vida de famílias que viram a paisagem do bairro se transformar. Para quem vive na região, o que está em jogo não é apenas a recuperação das ruas, mas a reconstrução da normalidade.
A demora até aqui também ajuda a explicar a expectativa em torno do início das obras. O processo exigiu estudos técnicos, monitoramento da área, avaliações geológicas e definição das soluções de engenharia consideradas necessárias para uma região de alta complexidade. Por isso, a obra chega cercada de esperança, mas também de cobrança por parte da comunidade.
A recuperação do Piratini foi organizada em etapas, e esta primeira fase é vista como decisiva para a retomada da segurança e da mobilidade no bairro. Em paralelo, o município também precisou lidar com desapropriações e indenizações em áreas atingidas, o que ampliou a dimensão social e urbana do problema.
Agora, com o contrato assinado, a expectativa passa a ser outra: a de que a reconstrução finalmente comece a ser percebida no dia a dia. Depois de tanto tempo de espera, o bairro Piratini não aguarda apenas máquinas e operários. Aguarda respostas concretas, cumprimento de prazos e a chance de voltar a viver com mais segurança.
A assinatura do contrato marca, portanto, mais do que o início de uma obra. Marca um novo capítulo para uma das regiões mais afetadas pela tragédia climática em Gramado e reacende a esperança de moradores que esperam, há dois anos, pela reconstrução de um pedaço importante da cidade.
Redação HN
Imagem: Ilustrativa







