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13 de junho de 2026

Hortênsias News

Operação contra lavagem do tráfico chega a Gramado e acende alerta na Serra Gaúcha

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Operação Apakani cumpriu mandados na cidade e mira organização criminosa investigada por movimentar cerca de R$ 21 milhões com recursos ligados ao narcotráfico

Gramado apareceu entre os municípios atingidos pela Operação Apakani, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul contra uma rede de lavagem de dinheiro vinculada ao narcotráfico estadual e interestadual. A ação foi conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico, o Denarc, e teve como objetivo desarticular uma estrutura criminosa investigada por distribuição de drogas, movimentação de valores ilícitos e ocultação patrimonial.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Estado, mandados foram cumpridos em Gramado e em outras cidades gaúchas, como Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Gravataí, Nova Santa Rita, Farroupilha, Caxias do Sul e Santa Maria. Também houve diligências em municípios de Santa Catarina, além de ações em empresas localizadas em São Paulo e Mato Grosso do Sul.

A operação teve números expressivos. Foram deferidos 28 mandados de prisão preventiva, cinco mandados de prisão temporária, 58 mandados de busca e apreensão, 58 bloqueios de contas bancárias e 14 sequestros de veículos. Até a atualização oficial, 26 pessoas haviam sido presas, além da apreensão de R$ 22 mil em espécie e uma arma de fogo.

As investigações começaram em 2023, após a apreensão de 1,3 tonelada de maconha em Canoas. A partir desse caso, a Polícia Civil identificou uma organização criminosa que, segundo os investigadores, atuava na distribuição de cocaína e crack em larga escala no Rio Grande do Sul, utilizando operações logísticas interestaduais e imóveis alugados em áreas nobres de municípios gaúchos para armazenamento de entorpecentes.

O ponto central da Operação Apakani é a descapitalização da organização criminosa. Conforme a investigação, o grupo teria movimentado cerca de R$ 21 milhões durante o período apurado. O dinheiro, segundo a polícia, era lavado por meio de movimentações financeiras fracionadas, uso de contas de terceiros, contas de passagem, saques rápidos, empresas reais, empresas de fachada e empresas fantasmas.

Ao todo, 21 empresas foram detectadas como operadoras do esquema após análises financeiras, telemáticas e patrimoniais. Essas empresas estariam localizadas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

No caso de Gramado, o dado confirmado até o momento é que a cidade esteve entre os locais onde houve cumprimento de mandados judiciais. Não há, nas informações públicas disponíveis, confirmação de prisões específicas no município ou identificação de pessoas e empresas locais ligadas diretamente ao esquema.

Mesmo assim, a presença de Gramado na lista de cidades alcançadas pela operação chama atenção. Uma cidade reconhecida pelo turismo, pela hotelaria e pela força econômica aparece agora no mapa de uma investigação de grande porte contra lavagem de dinheiro do narcotráfico. O caso reforça que organizações criminosas não se limitam às áreas tradicionais de conflito: elas buscam circular valores, ocultar patrimônio e se aproximar da economia formal onde houver oportunidade.

A Operação Apakani integra a Operação Narke 6, uma ação nacional coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, voltada ao enfrentamento qualificado do tráfico de drogas, da lavagem de dinheiro e das organizações criminosas.

A investigação segue sob responsabilidade das autoridades policiais e judiciais. Para Gramado, o alerta é claro: a cidade não pode ser tratada como culpada por estar no mapa da operação, mas também não pode ignorar o fato de que estruturas criminosas sofisticadas buscam cada vez mais usar caminhos econômicos, empresariais e patrimoniais para tentar esconder dinheiro do crime.

Matéria em Atualização

Redação HN
Imagem Ilustrativa

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