
Nova lei reconhece circuito que reúne patrimônio colonial, Rio São Francisco, Serra da Barriga, turismo de natureza e aventura em municípios com forte valor histórico para o estado.
Alagoas acaba de ganhar uma nova rota turística oficial capaz de mostrar ao Brasil um lado do estado que vai muito além das praias. A Rota Turística das Cidades Coloniais Alagoanas foi criada pela Lei nº 15.444, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e reúne sete municípios marcados por patrimônio histórico, cultura, natureza, religiosidade, memória negra e paisagens do Rio São Francisco.
O circuito inclui Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas, Delmiro Gouveia, União dos Palmares, Porto Calvo e Água Branca. A proposta é incentivar o turismo histórico, de natureza, de aventura e atividades semelhantes, fortalecendo uma região que guarda parte essencial da formação de Alagoas e do Nordeste.
A nova rota cria uma oportunidade importante para reposicionar o turismo alagoano. O estado, tradicionalmente conhecido pelo litoral e pelas belezas naturais de Maceió, Maragogi e outras praias, passa a ter um circuito federal reconhecido para valorizar cidades históricas, patrimônios tombados, igrejas, casarões, museus, serras, cânions e experiências culturais.
Em Marechal Deodoro, primeira capital de Alagoas, a rota destaca casarões, igrejas e conjuntos arquitetônicos do período colonial. A cidade também carrega o simbolismo de ser terra natal do proclamador da República. O Ministério do Turismo ressalta que o município preserva construções e referências históricas que ajudam a contar o passado político e cultural do estado.
Penedo entra no circuito como uma das joias históricas às margens do Rio São Francisco. A cidade reúne igrejas, conventos, casario colonial e um centro histórico reconhecido por sua importância arquitetônica. A Gazeta de Alagoas lembra que Penedo cresceu sobre um rochedo às margens do rio e preserva influências portuguesas, holandesas e francesas em sua formação urbana.
Piranhas reforça a conexão entre história e natureza. O município tem papel ligado à navegação no São Francisco e abriga um núcleo histórico tombado, além de estar próximo ao Cânion do Xingó, um dos destinos mais conhecidos do sertão alagoano. A cidade representa bem a força turística do interior, onde paisagem, memória e cultura se misturam.
Delmiro Gouveia também entra na rota com um peso histórico importante. A cidade está ligada à industrialização do sertão nordestino e à primeira usina hidrelétrica da Região Nordeste, inaugurada em 1913. Já União dos Palmares leva para o roteiro a Serra da Barriga, local associado ao Quilombo dos Palmares e símbolo da resistência negra no Brasil.
Porto Calvo, uma das cidades mais antigas de Alagoas, carrega marcas das disputas entre portugueses e holandeses no período colonial. Água Branca fecha o circuito no alto sertão, com construções históricas ligadas à ocupação do interior nordestino. Juntas, as sete cidades formam uma rota que cruza litoral, zona da mata, agreste e sertão.
A lei também prevê que a estruturação, a gestão e a promoção dos atrativos turísticos da rota recebam apoio de programas oficiais voltados ao fortalecimento da regionalização do turismo. Na prática, isso pode significar mais planejamento, divulgação, qualificação e organização dos destinos para receber visitantes.
O desafio agora será transformar o reconhecimento oficial em resultado concreto. Para que a rota ganhe força, os municípios precisarão investir em sinalização, acesso, preservação do patrimônio, capacitação, calendário cultural, receptivo turístico e integração entre os destinos.
A criação da rota é um passo importante porque valoriza um Alagoas profundo, histórico e diverso. Um estado que tem praias famosas, mas também tem ruas coloniais, igrejas centenárias, memória quilombola, rio, sertão, cânions e cidades que ajudam a contar a história do Brasil.
Redação IO
Imagem: Ilustrativa







