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18 de junho de 2026

Hortênsias News

Dois anos depois da enchente, onde estão os voos prometidos para o Aeroporto de Canela?

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Infraero assumiu a operação, pista recebeu melhorias, projeto de terminal foi apresentado e autoridades falaram em retomada. Mas, para moradores, empresários e turistas, a pergunta continua: onde estão os voos prometidos?

Dois anos após a enchente de 2024, que expôs a dependência do Rio Grande do Sul em relação ao Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, uma promessa ainda não saiu do papel na Serra Gaúcha: a operação regular de voos comerciais no Aeroporto de Canela.

O aeroporto foi apresentado como uma alternativa estratégica para fortalecer o turismo, ampliar a conectividade de Gramado e Canela e oferecer uma resposta concreta à Região das Hortênsias em um momento de crise. A Infraero assumiu a operação, obras foram anunciadas, a pista recebeu melhorias e o projeto de um futuro terminal de passageiros ganhou destaque.

Mas, passados dois anos da enchente e quase dois anos dos anúncios mais fortes sobre a retomada da aviação regional, o passageiro comum ainda espera.

A pergunta é simples, direta e necessária: onde estão os voos?

Em 2024, o discurso era de urgência. O fechamento do Salgado Filho colocou aeroportos do interior no centro da discussão. Canela passou a ser tratada como uma possibilidade real para receber voos regulares e ajudar a desafogar a logística aérea do Estado.

O Governo do Estado confirmou a transferência da operação para a Infraero com o objetivo de ampliar voos em Canela e Torres. Na época, a expectativa divulgada era de habilitar operações em prazos curtos, inclusive com aeronaves de até 72 passageiros no terminal da Serra Gaúcha.

Depois disso, vieram as obras. A Infraero iniciou melhorias no Aeroporto de Canela com revitalização da sinalização horizontal, intervenções na pista de pouso e decolagem, taxiamento, pátio de aeronaves, implantação de posições para aviões e helicóptero, instalação do sistema PAPI nas cabeceiras, além de alargamento, reforço e recapeamento da pista. A própria Infraero afirmou que as melhorias qualificariam o aeroporto para operar com aeronaves da categoria 2C, como o ATR 72, com capacidade de até 72 passageiros.

Ou seja: houve anúncio, houve obra, houve cerimônia, houve promessa e houve expectativa. O que ainda não houve foi o principal: voo regular para a população.

E é exatamente aí que nasce a cobrança. Se a pista foi melhorada, se a estrutura foi qualificada e se o aeroporto foi apresentado como solução para a Serra Gaúcha, por que a operação regular ainda não decolou? O que falta? Companhia aérea? Terminal? Licenças? Homologações? Estrutura noturna? Interesse comercial? Decisão política?

A Região das Hortênsias não pode viver apenas de maquetes, placas, discursos e promessas. O turismo de Gramado e Canela movimenta hotéis, restaurantes, parques, comércio, serviços, eventos e milhares de empregos. Um aeroporto regional funcionando de verdade poderia representar um novo salto para a economia local. Mas, até agora, o que a população vê é uma pista melhorada, projetos divulgados e uma espera que se arrasta.

O projeto do futuro terminal de passageiros também aumentou a expectativa. Imagens foram apresentadas ao público com uma estrutura moderna, inspirada na arquitetura regional, com uso de madeira, pedra e vidro. A proposta divulgada previa um terminal com cerca de 4 mil metros quadrados.

Mas o questionamento permanece: quando esse projeto vira obra? Quando a obra vira estrutura pronta? E quando a estrutura pronta vira embarque real para moradores e turistas?

Outro ponto que colocou ainda mais temperatura no debate é o futuro do Aeroclube de Canela. A entidade passou a aparecer no centro da polêmica, especialmente diante das discussões sobre o uso da área, a convivência com uma possível operação comercial e o futuro da aviação local.

Mas a pergunta que precisa ser feita com responsabilidade é outra: o Aeroclube é realmente um obstáculo técnico para a chegada dos voos comerciais ou virou o alvo mais fácil de uma promessa que ainda não se concretizou?

Essa resposta não pode ficar no campo da especulação. Precisa vir com documentos, critérios técnicos e transparência. A população tem o direito de saber se a permanência ou eventual limitação das atividades do Aeroclube interfere de fato na operação regular ou se o problema está em outros pontos, como terminal, segurança operacional, licenças, operação noturna ou falta de interesse das companhias aéreas.

Não se trata de atacar o aeroporto, nem de ignorar os avanços realizados. As melhorias na pista e na infraestrutura são importantes. O problema é que a entrega anunciada foi maior do que aquilo que chegou ao cidadão até agora.

Canela ouviu falar em voos. Viu imagens de terminal. Acompanhou solenidades. Recebeu promessas de desenvolvimento. Mas continua sem uma resposta objetiva sobre quando o aeroporto deixará de ser expectativa e passará a funcionar, de fato, como porta de entrada regular para a Serra Gaúcha.

A cobrança, portanto, é legítima.

Existe companhia aérea interessada? Há rota em negociação? O terminal tem prazo para sair do papel? O aeroporto terá operação noturna? Quais etapas ainda faltam para receber voos regulares? Quanto já foi investido? Quanto ainda será necessário investir? E quem assume a responsabilidade de dizer, com clareza, quando Canela e região terão os voos prometidos?

Dois anos depois da enchente, a Serra Gaúcha não precisa de mais promessas vagas. Precisa de cronograma, transparência e compromisso público. Porque, até agora, a imagem que fica é forte: prometeram voos, anunciaram terminal, falaram em investimentos.

Mas a operação regular ainda não decolou.

Redação HN
Imagem Ilustrativa

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