
Com alta probabilidade de retorno do El Niño em 2026, o Rio Grande do Sul volta a acender o alerta para chuvas intensas, deslizamentos, enxurradas e riscos em áreas vulneráveis da Serra Gaúcha
Depois de viver a maior tragédia climática de sua história recente, o Rio Grande do Sul volta a olhar para os próximos meses com atenção. A possibilidade de retorno do El Niño em 2026 reacende um alerta que não pode ser ignorado, especialmente na Serra Gaúcha e na Região das Hortênsias, onde o relevo, as encostas, os rios, os vales e a expansão urbana tornam os impactos da chuva intensa ainda mais preocupantes.
Segundo órgãos internacionais de monitoramento climático, há alta probabilidade de formação do El Niño ao longo de 2026. No Brasil, nota técnica elaborada por instituições como INPE e INMET aponta que o fenômeno pode se estabelecer no segundo semestre, com possibilidade de atingir ao menos intensidade moderada. Para a Região Sul, o cenário mais comum em anos de El Niño é de chuva acima da média e maior risco de eventos extremos, como inundações, temporais, enxurradas e deslizamentos.
Embora ainda não seja possível afirmar oficialmente que o país enfrentará um “super El Niño”, especialistas já tratam o cenário com cautela. A MetSul Meteorologia também vem destacando que o período mais sensível para o Sul do Brasil tende a ocorrer no segundo semestre, especialmente entre setembro e novembro, quando os efeitos do fenômeno podem se intensificar.
Na Região das Hortênsias, o risco não se limita apenas a enchentes. Em cidades como Gramado, Canela e Nova Petrópolis, a preocupação passa também por solo encharcado, instabilidade de encostas, queda de barreiras, erosão, bloqueios de estradas e transtornos em áreas urbanas e turísticas. Após os eventos extremos de 2024, o Serviço Geológico do Brasil avançou no mapeamento de áreas de risco na Serra Gaúcha, com estudos em municípios como Gramado, Canela e Nova Petrópolis.
O caso de Canela mostra a dimensão do alerta. Relatório do Serviço Geológico do Brasil identificou 33 áreas de risco no município após os eventos extremos de 2023 e 2024. Mais de 7,5 mil pessoas vivem em áreas classificadas como de risco alto ou muito alto, associadas a inundações ou deslizamentos.
A memória de 2024 ainda está viva. As enchentes de maio daquele ano atingiram 478 municípios gaúchos, afetaram mais de 2,3 milhões de pessoas e deixaram 185 mortes confirmadas, segundo balanço oficial do Governo do Estado. Foram números que mudaram a forma como o Rio Grande do Sul passou a encarar os alertas climáticos.
Por isso, falar em El Niño agora não é alarmismo. É responsabilidade. A tragédia mostrou que a prevenção precisa começar antes da chuva. Moradores de áreas de encosta, declive, beiras de arroios e pontos com histórico de alagamento devem acompanhar os alertas oficiais, observar sinais de risco no terreno e manter atenção redobrada durante temporais.
Rachaduras em paredes, fendas no solo, inclinação de postes, muros ou árvores, barulhos incomuns na estrutura da casa e movimentação de terra são sinais que exigem ação imediata. A orientação da Defesa Civil é sair do local de risco e acionar as forças de resposta. Em caso de emergência, o telefone da Defesa Civil é 199.
Também é importante que famílias em áreas vulneráveis tenham um plano simples de saída, com documentos, medicamentos, água, roupas e itens essenciais organizados para uma eventual evacuação. No turismo, comércio e serviços, a recomendação é acompanhar as condições do tempo, revisar planos de emergência e evitar deslocamentos em trechos alagados ou com risco de queda de barreira.
A Região das Hortênsias é uma das vitrines do turismo gaúcho, mas também precisa ser referência em prevenção climática. O desafio, agora, é transformar a dor de 2024 em planejamento, informação e cuidado coletivo.
Porque diante de um novo cenário de risco, a pergunta não é apenas se o El Niño virá forte. A pergunta mais importante é: estamos preparados?
Redação HN
Imagem Ilustrativa










