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30 de maio de 2026

Hortênsias News

Pesquisa científica em São Chico prova que florestas são bons negócios

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Manter a floresta em pé é a principal estratégia do Brasil para mitigar as mudanças climáticas

Pesquisa pioneira de monitoramento de carbono é realizada na floresta da Reserva Pró-Mata, em São Francisco de Paula/RS.

 

 

O mundo todo está buscando conhecimento e soluções para questões relacionadas ao aquecimento global e aos problemas ambientais. Um dos focos de atuação dos pesquisadores é o estudo dos diferentes tipos de formações florestais e seu papel na remoção do dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.

Por serem capazes de armazenar quantidades significativas de biomassa, as florestas são um componente importante do ciclo de carbono, pois as plantas absorvem CO₂. Porém, a contribuição de cada tipo de formação nesse processo é variável.

Na UFRGS, a pesquisadora de pós-doutorado Kauane Maiara Bordin, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, voltou-se ao estudo das florestas subtropicais do Sul do Brasil para quantificar a biomassa estocada e avaliar quais fatores estão relacionados a esses estoques.

Os primeiros resultados desse trabalho foram publicados em março de 2021, em artigo na revista Forest Ecology and Management, mostrando que os principais fatores relacionados ao estoque de biomassa nessas florestas são o clima e a proporção de árvores grandes.

A biomassa é uma medida de estrutura da floresta, muito relacionada à estocagem de carbono nas árvores. Sua quantificação é obtida a partir de uma equação que combina altura, diâmetro e densidade da madeira das árvores.

 

Influência do clima

O clima, caracterizado por variações anuais na temperatura, afeta negativamente a estocagem de biomassa, enquanto a alta proporção de árvores de grande porte influencia positivamente. Ou seja, florestas mais velhas, que possuem árvores grandes, são responsáveis por estocar quantidades maiores de biomassa.

O estudo indica que essas florestas desempenham um papel fundamental na persistência de longo prazo do armazenamento de carbono, uma vez que as árvores grandes respondem por 64% da biomassa total armazenada nas florestas pesquisadas.

Já a variação anual de temperatura teve efeito negativo, indicando que locais com muita amplitude térmica tendem a acumular menos carbono ao longo dos anos. Os achados são importantes porque evidenciam que a conservação dessas áreas — já que permite que as árvores atinjam tamanhos maiores — é fundamental para a manutenção da estocagem de carbono.

Em relação à influência da variável climática, Kauane explica: “Esse efeito nos acendeu uma luz, porque as mudanças climáticas podem fazer com que, no futuro, ocorram eventos extremos de frio e calor, impactando negativamente os estoques de biomassa e o ciclo do carbono de modo geral”.

 

A pesquisa

A grande novidade do estudo é que a relação entre o porte das árvores e a capacidade de estocar carbono ainda não era conhecida para a região Sul do Brasil. “Temos muitos estudos que falam da região da Amazônia, mas aqui para o Sul da América do Sul, que compreende essa grande área subtropical de florestas, não tínhamos ainda nenhuma publicação que relatasse esse padrão”, afirma Kauane.

Ela explica também que, em outras regiões, percebe-se a influência de outros fatores, mas, no Sul do Brasil, o determinante foi, de fato, a quantidade de árvores grandes que a floresta possui.

Kauane ainda enfatiza: “É preciso preservar estas áreas florestais, porque elas são o reservatório de carbono na região dos Campos de Cima da Serra, no Sul do Brasil. As florestas, além de preservarem a biodiversidade, fazem a remoção do carbono, que é algo muito valorizado hoje em dia no mercado de carbono nacional e global”.

 

Sobre a Reserva Pró-Mata

A Reserva Pró-Mata, Centro de Pesquisas e Conservação da Natureza, localizada em São Francisco de Paula, conta com 3,1 mil hectares e extensas áreas de Mata Atlântica, florestas de araucária e campos nativos. Reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), a Pró-Mata tornou-se a maior RPPN do Estado e passou a integrar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

Sobre o projeto

O projeto “A Cadeia Produtiva do Turismo Rural em São Francisco de Paula/RS: novas tecnologias para o desenvolvimento sustentável do Bioma Mata Atlântica” tem como finalidade impulsionar o turismo rural sustentável na região por meio da aplicação de novas tecnologias e da integração entre produtores rurais, empreendedores e consumidores.

A iniciativa propõe a criação de uma rede de turismo rural capaz de conectar diferentes atores locais, promovendo a qualificação dos produtos e serviços turísticos, a valorização da produção rural e a ampliação das oportunidades de comercialização.

Além disso, o projeto pretende aumentar o fluxo de visitantes na região, estimular a geração de renda e fortalecer a economia local, contribuindo para a preservação do Bioma Mata Atlântica e para o desenvolvimento sustentável de São Francisco de Paula.

 

 

 

 

Fonte: Patrícia Viale / Jornalista

Foto: Divulgação

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