
Casa Vitória ajuda mulheres a resgatar a saúde mental e a esperança
Maria (nome fictício) sonhava em estudar e ser professora. Mas, aos 17 anos, conheceu o homem que mudaria sua vida por meio da violência. Em pouco tempo de relacionamento, deixou de frequentar a escola e viu o desejo de ter uma profissão ficar cada vez mais distante. Até que um dia, cansada de sofrer abusos, buscou ajuda na rede de proteção social da cidade. Conseguiu sair daquela situação e, enfim, voltou a acreditar em seu futuro.
Essa poderia ser a história de tantas mulheres que chegam à Casa Vitória, em Canela, com a vida e a saúde mental fragilizadas. No local, encontram amparo, atendimento psicológico e assistencial, além da oportunidade de recomeçar. Neste Setembro Amarelo, dedicado à valorização da vida e à prevenção do suicídio, a Prefeitura reforça a importância de olhar com atenção para a saúde emocional das mulheres vítimas de violência doméstica, que sofrem os maiores impactos psicológicos.
Segundo o estudo “Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Públicos e Privados”, da Fundação Perseu Abramo e do Sesc, divulgado pelo Ipea, uma em cada cinco mulheres já sofreu algum tipo de violência cometida por homens, que são responsáveis por mais de 80% dos casos reportados no Brasil. A prática não deixa apenas marcas físicas: é um dos principais fatores de risco para depressão, ansiedade e até ideação suicida, principalmente entre vítimas de violência doméstica.
Na Casa Vitória, outro ponto observado é a faixa etária das vítimas: grande parte tem entre 18 e 22 anos, muitas vezes repetindo padrões familiares de violência. A psicóloga Denize Kochi explica:
“Quando chegam ao primeiro atendimento, essas jovens estão extremamente fragilizadas, muitas vezes sem conhecer sua própria identidade. Nosso trabalho é ajudá-las a ressignificar suas histórias e resgatar a esperança de viver.”
Denize acrescenta que todas as formas de violência — física, psicológica, patrimonial, sexual e moral — têm impacto profundo no psicológico dessas mulheres. Por isso, o acompanhamento contínuo é fundamental para que consigam reconstruir suas vidas e recuperar a saúde mental.
Espaço de cura e acolhimento
Para acessar a Casa Vitória, a mulher pode ser encaminhada pelo Poder Judiciário, procurar espontaneamente o serviço ou ser orientada por setores de saúde, assistência ou educação. No primeiro contato, recebe atendimento da assistente social, que avalia as necessidades: se há lugar para ficar enquanto o agressor não deixa a residência, se há filhos envolvidos, se é preciso solicitar algum benefício, entre outros aspectos. Após essa etapa, iniciam-se os atendimentos psicológicos, em que cada história é ouvida com cuidado e acolhimento, em busca de ferramentas para a reconstrução da vida.
O tratamento psicológico inclui resgatar projetos de vida esquecidos, incentivar o autocuidado e, sobretudo, reforçar a força de cada mulher.
“À medida que relatam suas histórias, buscamos mostrar o quanto já foram corajosas ao sobreviver à violência. Trabalhamos para que voltem a sonhar e acreditar que podem ter uma vida mais feliz e digna”, explica Denize.
A Casa Vitória é literalmente uma casa, no pleno sentido da palavra, o que faz diferença no processo de cura. O ambiente acolhedor é essencial para mulheres em momento de grande fragilidade. Por isso, a instituição desempenha um papel fundamental em Canela, oferecendo não apenas apoio psicológico, mas também abrigo temporário para que as vítimas possam se preparar para retomar suas vidas.
Casa Vitória em números
Desde sua criação, em setembro de 2021, até agosto deste ano, a Casa Vitória realizou mais de 1.065 atendimentos e 79 abrigamentos, acolhendo também 61 crianças que acompanhavam as vítimas.
Busque ajuda: você não está sozinha!
Sair de uma relação abusiva pode ser muito difícil, mas não é impossível. Neste Setembro Amarelo, a mensagem é clara: a vida importa, seus sonhos importam e você importa.
Alguns passos que podem ajudar, segundo profissionais:
– Reflita sobre sua trajetória, desde a infância até hoje, e lembre-se de quantas vezes foi forte diante das dificuldades;
– Resgate seus projetos de vida e volte a sonhar com eles;
– Reserve momentos do dia para cuidar de si mesma;
– Procure ajuda, pois pedir apoio é um ato de coragem.
A rede pública de saúde e assistência de Canela está à disposição:
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UBS: São Luiz (3282-5115); Canelinha (3282-5116); Santa Marta (3282-5112); Leodoro (3282-5117); Central (3282-5119)
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Caps: Rua São Francisco, nº 180 – Horário: 7h às 17h – Telefones: (54) 3282-5159 / (54) 9 9112-8691 (WhatsApp) – E-mail: caps@canela.rs.gov.br
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Casa Vitória: (54) 8121-5174
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CVV: telefone 188 ou www.cvv.org.br
Fonte: Letícia Morgenstern de Lima / Ascom PMC
Texto e foto: Adriana Rabassa / Prefeitura de Canela









